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Cárie Dentária e Dentisteria

É uma doença infeciosa multifatorial, provocada pela ação de determinadas bactérias que podem originar a destruição parcial ou total de um dente. A presença dessas bactérias na boca, associada a uma higiene oral deficiente e a uma alimentação inadequada, facilita o aparecimento de cáries. Em situações extremas, a cárie pode originar infeções de extensão variável e que podem ter graves repercussões na saúde geral do individuo.

Como pode surgir a cárie dentária?

Quando os alimentos que contêm hidratos de carbono, como por exemplo, doces, bolos, chocolates, gomas, etc, são ingeridos, as bactérias cariogénicas vão decompô-los e originar ácidos que provocam a dissolução do conteúdo mineral dos dentes e, consequentemente, o aparecimento de lesões de cárie. Esta ação ocorre sobretudo quando estes alimentos são ingeridos fora das refeições ou à noite antes de deitar.

Como posso saber se tenho cárie dentária?

A deteção de cáries numa fase inicial não é fácil e normalmente só consegue ser realizada por médicos dentistas, através do exame clínico e radiográfico auxiliar de diagnóstico. Se notar alguma alteração de cor, como manchas brancas, amareladas, acastanhadas ou pretas, deverá consultar o seu médico dentista. Quando sente a presença de uma cavidade, ou a ausência de uma parte do dente, muito provavelmente terá uma lesão de cárie já avançada. Daí a importância do diagnóstico precoce e consultas de rotina regulares.

Como prevenir a cárie dentária?

Efetuar uma higiene oral diária correta - passar o fio dentário pelo menos uma vez por dia, idealmente à noite - escovar os dentes pelo menos duas vezes ao dia com uma pasta fluoretada; a escovagem noturna é a mais importante e não se deve ingerir mais alimentos após a mesma - fazer uma dieta equilibrada - se não for possível a escovagem após uma refeição principal, pode mastigar uma pastilha elástica sem açúcar; no entanto, nunca substitui a escovagem - fazer consultas regulares de medicina dentária preventiva junto do seu médico dentista - avaliar a indicação para o uso de algum suplemento de flúor, bem como a indicação para a realização de selamento de fissuras dos dentes – sempre ao critério do médico dentista que o acompanha.

O que é a dentisteria?

É a área da medicina dentária que trata as lesões dos dentes, sejam causadas por cárie, traumatismo ou outra causa. O tratamento é realizado com recurso a materiais que substituem a estrutura do dente perdido, procurando repor a sua anatomia, função e estética.

Que materiais existem para restaurar os dentes afetados por cáries ou outros tipos de lesões?

Atualmente, as resinas compostas (materiais da cor do dente) são o material estético de eleição para restauração de dentes de forma direta e numa única sessão. Em dentes posteriores pode ser utilizado outro material, o amálgama de prata que é uma liga metálica. Quando as lesões são muito extensas os dentes podem ficar muito destruídos e a melhor opção de tratamento, com vista ao reforço da estrutura dentária remanescente, consiste na execução de prótese fixa (restaurações indiretas). Este tipo de restaurações exige trabalho laboratorial e por isso, requer mais consultas e custos para a sua elaboração.

O amálgama pode ser prejudicial para a saúde?

Não. Este material tem sido amplamente utilizado em restaurações, há mais de 100 anos. Apesar da controvérsia relacionada com o potencial tóxico do mercúrio (componente do material restaurador), não foi possível encontrar uma relação direta entre as restaurações de amálgama e o desenvolvimento de doenças sistémicas.

Devo substituir as restaurações escuras, em amálgama, por restaurações estéticas?Depende. A substituição de uma restauração em amálgama por um material estético, como as resinas compostas diretas ou indiretas, só é obrigatória caso a restauração apresente problemas, nomeadamente, fraturas ou infiltração por cárie sob a mesma. Quando a restauração está em bom estado clínico, a sua remoção pode ser efectuada por necessidades estéticas do paciente, no entanto, nem sempre é o mais indicado. Até porque a sua substituição pode não resolver o problema estético. Se a pigmentação dentária provocada por restaurações antigas em amálgama for muito profunda, poderá persistir alguma coloração que só será eliminada removendo a estrutura dentária sã, o que não é adequado na grande parte das situações.

Uma restauração com material da cor do dente (resina composta) tem a mesma durabilidade que uma restauração metálica (amálgama)?As restaurações em amálgama podem apresentar uma longevidade de 10 a 20 anos. As resinas são mais sensíveis e, apresentam geralmente uma menor durabilidade. Estudos atuais apontam uma durabilidade máxima de cerca de 8 anos.

Como deve ser efetuada a manutenção das restaurações?Devem ser feitas consultas regulares ao médico dentista, para reavaliação clínica e radiográfica do estado das restaurações dentárias, com o seu respetivo polimento, de forma a minimizar a acumulação de placa bacteriana, complementada com umcontrolo rigoroso da higiene oral. As restaurações estão continuamente a ser submetidas a tensões devido às forças da mastigação, pelo que podem sofrer desgaste, fissuras ou fraturas, sobretudo quando em sobrecarga devido a ausências dentárias. Quando uma restauração se encontra comprometida pode ser necessária a sua reparação ou substituição por uma nova restauração, direta ou indiretamente (dependendo da extensão e estrutura dentária remanescente).

Há algum tipo de alimentos ou bebidas que interfiram com a estabilidade da cor dos materiais estéticos?

A cor superficial das restaurações em resina composta pode alterar-se com o tempo pela incorporação de alguns pigmentos em poros microscópicos existentes na resina. Alguns alimentos e bebidas contêm pigmentos artificiais que facilitam e aceleram esse processo, nomeadamente o café, o chá, as coca-colas, etc, bem como o tabaco.

Os dentes são afetados todos da mesma forma?

Não. Os dentes são mais suscetíveis à cárie assim que erupcionam porque ainda não atingiram a sua maturação completa. Por outro lado, os dentes posteriores, molares e pré-molares, devido à sua forma (anatomia) com sulcos e fissuras, mais ou menos pronunciados, dependendo de cada individuo, permitem que os restos alimentares se alojem mais facilmente e durante um maior período de tempo. Estes fatores, associados a uma maior dificuldade de escovagem, por se localizarem mais atrás, podem facilitar a acumulação de placa bacteriana (restos alimentares e bactérias) e, como tal, o desenvolvimento de lesões de cáries.

Porque é que as cáries podem provocar dores fortes nos dentes?

O processo de cárie é geralmente lento e tem inicio com uma mancha branca na superfície do esmalte que ao progredir leva à formação de uma pequena cavidade. Através desta, as bactérias atingem rapidamente a dentina que é um tecido menos duro que o esmalte e mais poroso, sendo por isso mais facilmente e rapidamente dissolvido pelos ácidos produzidos pelas bactérias. Durante as fases iniciais não são detetados sintomas significativos. No entanto, em fases mais avançadas, as queixas podem passar por um desconforto com aumento de sensibilidade e mau hálito, até situações mais complicadas com dor na presença de diferentes tipos de estímulos (frio, quente ou doce), ou mesmo o aparecimento de uma dor espontânea muito intensa. Nestes casos, a cárie atingiu a dentina, originando sintomas cada vez piores à medida que vai ficando mais profunda e se vai aproximando do centro do dente, onde se encontra a estrutura nervosa (que dá a sensibilidade e vitalidade ao dente).